
Cadeira de Charles e Ray Eames
Buscamos honestidade nos móveis que criamos. Em uma mesa de escritório, por exemplo, de que mais precisamos além de um bom espaço para trabalhar confortavelmente? Falando assim até parece simples demais. Mas a genialidade do bom designer está em fazer isso acrescido de conceitos de ergonomia e de antropometria, que simplesmente passam desapercebidos aos olhos do consumidor em um primeiro momento. É papel do designer estudar, pesquisar e ficar antenado nas novas formas de trabalhar e nas rápidas mudanças tecnológicas para criar soluções de mobiliário que priorizem a saúde e o rendimento no trabalho. O designer é um observador que percebe como o processo de trabalho e suas ferramentas - atualmente representadas pelo notebook, telefone, monitor de tela plana, teclado, mouse, etc. - interagem conosco e afetam nosso corpo. E é pensando em tudo isso que os designers de hoje investem em um conceito mais orgânico, mais simples e prático, além de belo, nos móveis que usamos diariamente, seja em casa ou no trabalho. Especialmente no trabalho, onde passamos a maior parte do tempo. Natural, então, que o conforto lá seja mais do que um capricho, e sim uma necessidade. Simples assim.
Ronaldo Duschenes é arquiteto e designer. Formou-se em arquitetura, na FAU/USP, em 1967. Em 1981, Ronaldo mudou-se para Curitiba, abrindo sua fábrica de móveis para escritório, a Flexiv, em 1985. Hoje, além de ser o principal executivo da Flexiv, Ronaldo Duschenes também é conselheiro na ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), ex-presidente e atual vice-presidente do SIMOV (Sindicato das Indústrias Marceneiras do Estado do Paraná), membro da atual diretoria da FIEP (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), conselheiro da Unindus (Universidade da Indústria) e também conselheiro do IBQP (Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade).
Ronaldo Duschenes é arquiteto e designer. Formou-se em arquitetura, na FAU/USP, em 1967. Em 1981, Ronaldo mudou-se para Curitiba, abrindo sua fábrica de móveis para escritório, a Flexiv, em 1985. Hoje, além de ser o principal executivo da Flexiv, Ronaldo Duschenes também é conselheiro na ABIMÓVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), ex-presidente e atual vice-presidente do SIMOV (Sindicato das Indústrias Marceneiras do Estado do Paraná), membro da atual diretoria da FIEP (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), conselheiro da Unindus (Universidade da Indústria) e também conselheiro do IBQP (Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade).
Autor: Ronaldo Duschenes
Post: Jean
Entre as proposições de muitos estudiosos, percebe-se que o design é uma área de conhecimento correlato ao desenvolvimento do projeto do produto e sistemas informacionais, cujos princípios apóiam-se no atendimento às exigências e expectativas do homem (produtor, consumidor, usuário e expectador), em sua concepção produtiva.Talvez um dos melhores conceitos para design, ainda é aquele apresentado por Bernd Löbach, em sua obra intitulado Design industrial – bases para a configuração dos produtos industriais, o qual define como “... toda atividade que tende a transformar em produto industrial passível de fabricação, as idéias para a satisfação de determinadas necessidades de um indivíduo ou grupo”, ou seja, é “... um processo de adaptação dos produtos de uso, fabricados industrialmente, às necessidades físicas e psíquicas dos usuários ou grupo de usuários”. Essas necessidades “... têm origem em alguma carência e ditam o comportamento humano visando à eliminação dos estados não desejados. (...). Quando as necessidades são satisfeitas, o homem sente prazer, bem-estar, relaxamento”. Entretanto, o alcance dessa satisfação exige que o homem modifique a natureza, utilizando sua inteligência para idealizar objetos e informações que ampliem suas capacidades e limitações. A produção depende da participação ativa do designer. Ainda segundo Löbach, na “... sociedade industrial altamente desenvolvida, o objetivo de quase toda atividade é a elevação do crescimento econômico e do nível de vida. Aí a satisfação de necessidades e aspirações tem um papel substancial, motivando a criação e o aperfeiçoamento de objetos. O processo se inicia com a pesquisa de necessidades e aspirações, a partir das quais se desenvolverão as idéias para sua satisfação, em forma de produtos industriais (...). É na transformação destas idéias em produtos de uso (...) que o designer industrial participa ativamente”.Alguns leitores desta coluna poderão não gostar muito de tais citações, podendo considerar que o fundamento apresentado é um tanto anacrônico ou ultrapassado (principalmente diante as novas tecnologias), mas não dá para negar que o design tem por objetivo satisfazer as necessidades humanas (materiais, perceptivas ou quaisquer outras), através de produtos e sistemas informacionais, desenvolvidos nos processos produtivos disponíveis (industriais, ou não) na atualidade.Aqui, há sempre uma longa discussão sobre as nuances entre design, engenharia e arte/artesanato, mas ao invés de, mais uma vez analisarmos cada uma dessas áreas, eu prefiro identificar o design como um sistema em si, cuja principal característica (além de seus objetivos, claramente expostos anteriormente) está em apresentar uma metodologia própria.A metodologia do design surgiu num momento em que se procurou sistematizar e tornar científico o desenvolvimento de produtos e sistemas informacionais. A criação da Bauhaus e, posteriormente, a Escola de Ulm, fizeram com que o design fosse observado como processo. Após a segunda metade do século XX, Jones, considerado um dos precursores da metodologia do projeto, apresentou trinta e cinco propostas metodológicas, constituindo até então uma reunião fundamental para a teoria e prática do design. Depois disso, muitos pesquisadores e designers desenvolveram e publicaram trabalhos sobre metodologia do projeto, os quais se destacam (no conhecimento do público especializado) Bruno Munari, Gui Bonsiepe e, no Brasil, o Prof. Gustavo Amarante Bomfim, entre outros.Ao final da década de 1990, a evolução desta área alcançou um elevado nível, surgindo importantes estudos no mundo todo, com destaque para o livro denominado “Creating innovative products using Total Design”, de Stuart Pugh (um pouco mais voltado à engenharia do projeto).Atualmente, os estudos sobre metodologia do design têm se preocupado com os impactos ambientais do sistema produtivo mundial, mas não tem deixado de considerar as necessidade e anseios do ser humano. Assim, ao propormos o design como sendo um processo de desenvolvimento de produtos e sistemas informacionais que objetiva satisfazer as necessidades humanas, não podemos desconsiderar que a evolução tecnológica e os processos de relação entre o homem e a tecnologia foram se alterando ao longo do tempo e, conseqüentemente, novas necessidades metodológicas foram surgindo.De acordo com um artigo escrito por Yap e seus colegas de trabalho, publicado na década de 1980 na Applied Ergonomics, podemos considerar que enquanto produtos e outros dispositivos tecnológicos eram simples, seus desenhos podiam ser desenvolvidos por métodos puramente empíricos ou mais intuitivos. Com a evolução tecnológica e a complexidade dos sistemas e produtos, essa abordagem empírica tornou-se insuficiente, sendo necessária uma abordagem científica, então baseada em considerações ergonômicas das capacidades e limitações do ser humano, aperfeiçoando e maximizando a segurança, funcionalidade e usabilidade dos produtos.Talvez neste sentido é que se estabelece, definitivamente, a relação entre Design e Ergonomia, a qual vem se caracterizando cada vez pela permeabilidade de ações entre ambas as áreas.No próximo texto da coluna, pretendemos dar continuidade à discussão sobre os impactos da ergonomia nas metodologias do design.
