Entre as proposições de muitos estudiosos, percebe-se que o design é uma área de conhecimento correlato ao desenvolvimento do projeto do produto e sistemas informacionais, cujos princípios apóiam-se no atendimento às exigências e expectativas do homem (produtor, consumidor, usuário e expectador), em sua concepção produtiva.Talvez um dos melhores conceitos para design, ainda é aquele apresentado por Bernd Löbach, em sua obra intitulado Design industrial – bases para a configuração dos produtos industriais, o qual define como “... toda atividade que tende a transformar em produto industrial passível de fabricação, as idéias para a satisfação de determinadas necessidades de um indivíduo ou grupo”, ou seja, é “... um processo de adaptação dos produtos de uso, fabricados industrialmente, às necessidades físicas e psíquicas dos usuários ou grupo de usuários”. Essas necessidades “... têm origem em alguma carência e ditam o comportamento humano visando à eliminação dos estados não desejados. (...). Quando as necessidades são satisfeitas, o homem sente prazer, bem-estar, relaxamento”. Entretanto, o alcance dessa satisfação exige que o homem modifique a natureza, utilizando sua inteligência para idealizar objetos e informações que ampliem suas capacidades e limitações. A produção depende da participação ativa do designer. Ainda segundo Löbach, na “... sociedade industrial altamente desenvolvida, o objetivo de quase toda atividade é a elevação do crescimento econômico e do nível de vida. Aí a satisfação de necessidades e aspirações tem um papel substancial, motivando a criação e o aperfeiçoamento de objetos. O processo se inicia com a pesquisa de necessidades e aspirações, a partir das quais se desenvolverão as idéias para sua satisfação, em forma de produtos industriais (...). É na transformação destas idéias em produtos de uso (...) que o designer industrial participa ativamente”.Alguns leitores desta coluna poderão não gostar muito de tais citações, podendo considerar que o fundamento apresentado é um tanto anacrônico ou ultrapassado (principalmente diante as novas tecnologias), mas não dá para negar que o design tem por objetivo satisfazer as necessidades humanas (materiais, perceptivas ou quaisquer outras), através de produtos e sistemas informacionais, desenvolvidos nos processos produtivos disponíveis (industriais, ou não) na atualidade.Aqui, há sempre uma longa discussão sobre as nuances entre design, engenharia e arte/artesanato, mas ao invés de, mais uma vez analisarmos cada uma dessas áreas, eu prefiro identificar o design como um sistema em si, cuja principal característica (além de seus objetivos, claramente expostos anteriormente) está em apresentar uma metodologia própria.A metodologia do design surgiu num momento em que se procurou sistematizar e tornar científico o desenvolvimento de produtos e sistemas informacionais. A criação da Bauhaus e, posteriormente, a Escola de Ulm, fizeram com que o design fosse observado como processo. Após a segunda metade do século XX, Jones, considerado um dos precursores da metodologia do projeto, apresentou trinta e cinco propostas metodológicas, constituindo até então uma reunião fundamental para a teoria e prática do design. Depois disso, muitos pesquisadores e designers desenvolveram e publicaram trabalhos sobre metodologia do projeto, os quais se destacam (no conhecimento do público especializado) Bruno Munari, Gui Bonsiepe e, no Brasil, o Prof. Gustavo Amarante Bomfim, entre outros.Ao final da década de 1990, a evolução desta área alcançou um elevado nível, surgindo importantes estudos no mundo todo, com destaque para o livro denominado “Creating innovative products using Total Design”, de Stuart Pugh (um pouco mais voltado à engenharia do projeto).Atualmente, os estudos sobre metodologia do design têm se preocupado com os impactos ambientais do sistema produtivo mundial, mas não tem deixado de considerar as necessidade e anseios do ser humano. Assim, ao propormos o design como sendo um processo de desenvolvimento de produtos e sistemas informacionais que objetiva satisfazer as necessidades humanas, não podemos desconsiderar que a evolução tecnológica e os processos de relação entre o homem e a tecnologia foram se alterando ao longo do tempo e, conseqüentemente, novas necessidades metodológicas foram surgindo.De acordo com um artigo escrito por Yap e seus colegas de trabalho, publicado na década de 1980 na Applied Ergonomics, podemos considerar que enquanto produtos e outros dispositivos tecnológicos eram simples, seus desenhos podiam ser desenvolvidos por métodos puramente empíricos ou mais intuitivos. Com a evolução tecnológica e a complexidade dos sistemas e produtos, essa abordagem empírica tornou-se insuficiente, sendo necessária uma abordagem científica, então baseada em considerações ergonômicas das capacidades e limitações do ser humano, aperfeiçoando e maximizando a segurança, funcionalidade e usabilidade dos produtos.Talvez neste sentido é que se estabelece, definitivamente, a relação entre Design e Ergonomia, a qual vem se caracterizando cada vez pela permeabilidade de ações entre ambas as áreas.No próximo texto da coluna, pretendemos dar continuidade à discussão sobre os impactos da ergonomia nas metodologias do design.Autor: Luis Carlos Paschoarelli
Possui graduação (1994) e mestrado (1997) em Desenho Industrial pela Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista - UNESP; e doutorado (2003) em Engenharia de Produção pelo Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas da Universidade Federal de São Carlos. Atualmente é Professor Assistente Doutor na graduação em Design e no programa de pós-graduação em Desenho Industrial da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista - UNESP. Tem experiência na área de Design, atuando principalmente nos seguintes temas: Design, Design Ergonômico, Ergonomia. É ergonomista certificado pela Associação Brasileira de Ergonomia. Participou da autoria de 25 artigos completos em revistas científicas indexadas, 120 artigos completos em eventos científicos e três capítulos de livros.
VISITE SITE: http://www.designbrasil.org.br/

Nenhum comentário:
Postar um comentário